quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Contribuição na música e na dança

O negro deu seu ritmo à música brasileira. Também lhe deu nomes, como chorinho ou samba. Por isso se diz que a música popular brasileira nasceu na África.

A raiz negra está em tudo: no samba, no pagode, no afoxé, nas festas folclóricas como a do maracatu. Além dos ritmos, os africanos trouxeram também instrumentos, como o berimbau, a cuíca e outros instrumentos de percussão, como o atabaque o berimbau.


Afoxé
Fonte: Wikipedia

Berimbau
Fonte: Wikipedia

Agogô
Fonte: Wikipedia
















O samba era chamado pelos angolanos de semba. Esse gênero musical foi se transformando, ganhou novos instrumentos, chegou ao Rio de Janeiro e atualmente é característico de todas as regiões brasileiras.

Mistura de dança, luta e música, a capoeira também surgiu com os negros, que a utilizavam como arma de defesa. Durante a escravidão, reuniam-se em roda depois do trabalho para cantar, dançar, jogar capoeira ou reverenciar com música os seus orixás. Batiam palmas, batucavam, reviviam suas tradições. E assim a música negra se afirmava em meio a tanto sofrimento.


Os escravos misturavam instrumentos musicais, dança e luta, enganando seus Senhores de Engenho, que pensavam estarem eles apenas "dançando".

A capoeira sofreu repressão por grande parte das autoridades policiais e também os senhores de engenho perseguiam os escravos praticantes de capoeira, porque a atividade dava ao capoeirista um sentido de nacionalidade, individualidade e auto-confiança, formando grupos coesos e jogadores ágeis e perigosos e também porque, às vezes, no jogo, os escravos se machucavam, o que era economicamente indesejável.

O capoeirista era considerado um marginal, um delinqüente. O Decreto-lei 487 acabou temporariamente com a capoeira, mas os negros resistiram até a sua legalização.

Mas, as coisas mudaram em fins da década de 30 do século passado. Um capoerista chamado Manuel dos Reis Machado, Mestre Bimba foi convidado por Juracy Montenegro Magalhães, a ir ao Palácio do Governo baiano. E agora? Mestre Bimba ficou assustado, achou que seria preso!

Para sua surpresa, o governador queria que se apresentasse com seus alunos para mostrar "a nossa herança cultural" para amigos e autoridades no Palácio do Governo.

Em 09 de julho de 1937, Mestre Bimba conseguiu o registro de sua Academia, a primeira reconhecida no país. Nesse ano, inicia-se a ascensão sócio-cultural da capoeira, que volta ao cenário cultural, estando presente na música, nas artes plásticas, na literatura, nos palcos...

Em 15 de julho de 2008 a capoeira foi reconhecida como Patrimônio Cultural Brasileiro e registrada como Bem Cultural de Natureza Imaterial.

E no período da escravidão? Será que havia artistas afro-brasileiros? Sim, e alguns até ficaram famosos, mas a maioria só foi descoberta muito depois de sua morte!

Um pouco depois do período escravocrata, conhecemos alguns músicos negros, pioneiros da chamada música popular brasileira, como José Antônio da Silva Callado e Pixinguinha.

Muito depois, na década de 30, os artistas afro-brasileiros ganharam o seu espaço, sobretudo com o boom do rádio! E aí... milhões de pessoas ouviam os artistas negros.


Foi um tempo em que intelectuais e artistas começaram a reivindicar uma nova percepção de Brasil, como o país da miscigenação e da democracia racial.

Foi Carmem Miranda, uma mulher branca, a eleita "Rainha do Samba". Não por acaso. Sabe-se que a artista divulgava a música de artistas negros, quando eles não conseguiam trabalho.



Sabe-se ainda, por sua insistência e influência muitos artistas negros saíram do anonimato para subir aos palcos, incluindo nesse grupo grandes nomes como Dorival Caymmi e Sinval Silva, motorista de Carmem e autor do clássico "Adeus Batucada".

Mesmo assim, até o final da década de 50, foram poucos os artistas negros que conseguiram ter contratos assinados com gravadoras.

Nos anos 60, muitas composições sobre personagens negros eram racistas e ninguém reclamava. Apesar da ingenuidade de canções como "O teu cabelo não nega mulata (…) Mas como a cor não pega, mulata/ Mulata eu quero teu amor", está na cara o sinal de preconceito. "Mas como a cor não pega" fala da negritude como se fala de uma doença.

Gilberto Gil e Caetano Veloso, através de suas composições, colaboraram para que a força política do negro fosse mais reconhecida!

Depois deles, vários artistas negros despontaram no hip-hop, rap ou samba com a deliberada intenção de despertar o orgulho negro entre os jovens.


Fonte: http://www.colegiolacordaire.conexaopitagoras.com.br/CF//antenado/especiais/cultura_afro/cultura.html

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