terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Valores Civilizatórios

Circularidade

Todos nós conhecemos o prazer que advém do ato de sentar em roda com amigos para contar histórias, fazer música, brincar com jogos ou manifestar a religiosidade. Os próprios valores civilizatórios são bons exemplo de circularidade. A vida é cíclica. Podemos estar muito bem agora e numa posição ruim depois até que voltemos a um estado satisfatório. A humanidade inteira permanece unida por este sentimento circular.



“O terreiro tem o papel importantíssimo de resgatar a Mãe África, mesmo que através de uma nostalgia, de um lamento. E é esse território representado pelo círculo que vai reaparecer em várias atividades, de cunho religioso e também no espaço lúdico. Essa mesma roda está presente na capoeira, no jongo, no tambor de crioula, na gira da umbanda e no samba”.



Religiosidade

Para a nação afro-descendente, religiosidade é mais do que religião: é um exercício permanente de respeito à vida e doação ao próximo. A propósito, em tempos de tanta violência gratuita, vale pontuar que a vida é um dom divino, de caráter transcendental, e deve ser usada para cuidar de si e do outro.



“A cada dia acontece uma lição de vida. Aprende-se de tudo, a comunicação com os mais velhos, com os mais novos, o trabalho em grupo fazendo-se o que gosta ou que não gosta; e, sobretudo, aprende-se o gosto pela vida, numa estreita relação com o Orixá” (Mãe Stella)



Corporeidade

Este conceito nos ensina a respeitar cada milímetro do corpo humano, que deve estar presente em cada ação e em diálogo com outros corpos. As demandas corporais devem ser consideradas. Afinal, o corpo atua, registra nele próprio a memória de várias maneiras, seja através da dança, da brincadeira, do desenho, da escrita, da fala. Das músicas às danças, com tudo o que elas anunciam e denunciam. Os corpos dançantes revelam memórias coletivas.



“Aprendemos que as danças circulam e que o corpo informa sobre a vida de cada dançarino” (Antonio Nóbrega)



Musicalidade

Famosa no mundo inteiro pela sua qualidade inconteste, a música brasileira tem os dois pés bem fincados no Continente Negro. Quem resiste aos encantos de uma batucada? A musicalidade, a dimensão do corpo que dança e vibra em resposta aos sons só reafirma a consciência de que o corpo humano também é melódico e potencializa a musicalidade como um valor.



“O som é o ponto de partida dos primeiros habitantes do globo terrestre rumo à formação dos primeiros agrupamentos humanos que, no curso da evolução, irão constituir a nossa civilização. A importância da música, da qual o som é a matéria-prima, é superior à descoberta do fogo, ou à invenção da roda ou da imprensa” (Charles Murray)



Memória

Para despertar o sentimento de afro-brasilidade e, sobretudo, de orgulho ao exibi-la, é necessário mexer no eixo do racismo e da memória: o racismo como algo a ser enfrentado e a memória para que a presença africana que habita em nós possa emergir livremente.



Ancestralidade

Quando se pensa em ancestralidade, faz-se uma imediata ponte com a história e a memória. Convém não esquecer o passado. Não há fórmulas complexas para vivenciar o que é, de fato, a ancestralidade. Quer provar? Então saia em busca do relato dos mais velhos, que trazem o rico imaginário afro-brasileiro.



“A memória compõe nossa identidade. É por intermédio da memória que construímos nossa história. Ao construir a memória, construímos lembrança, que para existir precisa do outro e necessita ser compartilhada. Assim também é a obra de arte” (Franklin Esparth Pedroso)



Cooperativismo

Falar sobre cultura negra requer usar a palavra ‘coletivo’. Pensar em africanidades é pensar em comunidade, em diversidade, em grupo. Imaginem o que teria acontecido com a população negra num sistema escravocrata se houvessem desprezado o princípio da parceria, do diálogo, da cooperação? E ainda nos dias que corre, nesta sociedade racista excludente?



“Durante séculos os povos da África Central tinham lidado com a diversidade étnica, desenvolvido tradições religiosas comuns e compartilhado formas culturais. Essas habilidades eles as transmitiram para o Brasil, onde utilizaram indiscutivelmente técnicas similares para lidar com a diversidade cultural” (Karasch)



Oralidade

Herança direta da cultura africana, a expressão oral é uma força comunicativa a ser potencializada. Jamais como negação da escrita, mas como afirmação de independência. A oralidade está associada ao corpo porque é através da voz, da memória e da música, por exemplo, que nos comunicamos e nos identificamos com o próximo.



“Griots são contadores de histórias fundamentais para a permanência da humanidade: são como um acervo vivo de um povo. Carregam nos seus corpos lendas, feitos, canções e lições de vida de uma população, envoltos numa magia própria, específica dos que encantam com o corpo e com sua oralidade” (Gregório Filho)



Energia Vital

O princípio do axé é a vontade de viver e aprender com vigor, alegria e brilho no olho, acreditando na força do presente. Em nada se assemelha a normas, burocracias, métodos rígidos e imutáveis. Pelo contrário. Tudo é uma possibilidade para quem é guiado pelo axé.



“Perdi os dedos, mas não a força e a vontade de esculpir. Aprendi a usar os joelhos como quem usa os pés. Amarrei os instrumentos às mãos para continuar a trabalhar. Afinal, a criação nasce na cabeça, não na ponta dos dedos” (Heróis de Todo Mundo, programa sobre Aleijadinho)



Ludicidade

Entre suas variadas utilidades, os jogos sempre viabilizaram o aprendizado. Também serviram para transmitir as conquistas da sociedade em diversos campos do conhecimento. Quando os membros mais velhos de um grupo revelam aos jovens como funciona um determinado jogo de tabuleiro, por exemplo, eles transmitem uma série de conhecimentos que fazem parte do patrimônio cultural daquele grupo.



“Antigamente, o jogo era associado a ritos mágicos e sagrados. Dependendo do lugar, era reservado apenas para os homens, ou para os homens mais velhos, ou, ainda, era exclusivo dos sacerdotes” (Os Melhores Jogos do Mundo)

Candomblé, afinal o que é?

Candomblé, afinal o que é?
Jairo Santiago
Professor Doutor em Comunicação /ECO/UFRJ

Desde o século XVI milhões de negros vindos da África chegaram à costa brasileira, são de diversas etnias, que, mesmo considerada a diversidade cultural, comungam do fato de terem perdido as referências territoriais e comunitárias.

Restavam-lhes apenas os valores e princípios que demarcavam sua visão de mundo.

Esse grupo utiliza as mais diversas formas e táticas de sobrevivência.
Importante que se diga, que não se tratava apenas de uma sobrevivência espiritual, mas principalmente do corpo, de uma forma de viver.

Diante da adversidade da escravidão, era preciso recompor as referências perdidas. A religiosidade se prefigurou como um dos caminhos possíveis nessa empreitada, e o Candomblé, dentre outras manifestações religiosas se singularizou na manutenção de valores e princípios negros na diáspora. O Candomblé em sua expressão de maior magnitude, a comunidade-terreiro, permitiu a recriação de laços comunitários e territoriais aniquilados com a escravidão.

Mas afinal o que é Candomblé?

Em primeiro lugar se faz necessário pensar que se trata de uma poderosa síntese que se processou em território brasileiro, sendo assim resultado de um longo e doloroso processo histórico, no qual os negros escravizados e, posteriormente os libertos, tecem laços comunitários e territoriais, consideradas as diversidades adversidades. O negro se moveu, resistiu, se comunicou entre os fios da rede da repressão.

Entender essa tensa rede de acordos e enfrentamentos, de avanços e retrocessos, de disputas e acertos internos é o longo caminho para se compreender o que é o Candomblé. Nesse sentido, se lança mão aqui de uma metáfora para se tentar chegar a um primeiro entendimento do que seja candomblé, ou pelo menos uma de suas traduções possíveis:

Imagine que uma pessoa viaja até a África e que lá chegando conhece um determinado prato da culinária local, interessando-se pelo referido prato, solicita a receita e descobre que alguns dos ingredientes não existem no Brasil, e, mesmo assim, consegue os ingredientes e volta ao Brasil, onde resolve reproduzir o prato, mas se propõe a algo mais, ou seja, resolve inventar um novo prato, que embora contenha ingredientes africanos não lembra nenhum prato conhecido na África.

Portanto é um prato brasileiro. Assim é o Candomblé, pois mesmo considerados os elementos simbólicos e religiosos africanos (ingredientes) é resultado do processo histórico na diáspora, é síntese da inventividade dos partícipes. As palavras inventividade e recriação são fundamentais à compreensão do papel do negro escravizado ou liberto na diáspora.

O Candomblé agrega territorialmente elementos que no território africano eram dispersos e objeto de cultos locais e até isolados. Muniz Sodré nesse sentido afirma:



Do lado dos ex-excravos, o terreiro de (de candomblé) afigura-se como a forma social negro-brasileira por excelência, por que além da diversidade existencial e cultural que engendra, é um lugar originário de força ou potência social para uma etnia que experimenta a cidadania em condições desiguais. Através do terreiro e de sua originalidade diante do espaço europeu, obtêm-se traços de fortes subjetividade histórica das classes subalternas no Brasil (SODRÉ.1988,p.18)



Retomando o conceito de comunidade-terreiro, percebe-se que a mesma implica além da junção de elementos dispersos e distantes, uma nova concepção de comunidade, que agrega vivos e mortos, implica em uma relação de troca entre os vivos e os ancestrais, entre deuses e seres humanos, implica ainda em uma visão de ser humano que negocia com os deuses e ancestrais uma boa vida na terra, uma vida alegre, criativa e em constante movimento, pois para o Candomblé nada é estático, tudo é movimento, tudo é troca constante.

A idéia de movimento remete a um dos elementos mais importantes do Candomblé, que a figura de Exu, senhor do movimento sem fim, é responsável pela existência dinâmica da realidade, tudo muda, seres humanos, árvores, pedras, todos são parceiros em uma relação que é dada pela dimensão de um jogo cósmico. As possibilidades vão sendo construídas e destruídas o tempo todo. O segredo da regra do jogo encontra-se na palavra acerto, ou seja, acertar um ponto, fechar um acordo, alterar uma situação, enfim simular e dissimular a realidade. Uma grande figura do Candomblé, o professor Agenor Miranda da Rocha , dizia com propriedade: Candomblé é um sistema cuja base é Exu.

Assim sendo, na impossibilidade de um ponto fixo de referência, e de uma conversão à uma verdade eterna e imutável, como caminha a civilização ocidental
desde Platão, o Candomblé acena sempre com a possibilidade de se mudar o mundo e o destino. Busca-se enganar a morte, nem que seja por uma vez. O candomblé não se prefigura como um espaço de conversão à uma única verdade. Pertencer a uma comunidade-terreiro não exige o pressuposto da adesão a verdade, basta estar ali. Em uma festa ou cerimônia pública não se pergunta se a pessoa acredita ou não na divindade presente, ou nos princípios ali vigentes.

Os deuses existem independentemente da fé. Deve se entender Candomblé como um espaço de enfrentamento do projeto universalista da civilização ocidental. Na comunidade-terreiro o homem é capaz de estabelecer uma relação de troca sem que sobre um resto a ser apropriado economicamente e em favor de algum grupo
dominante .

A comunidade-terreiro recria a referência territorial-comunitária perdida em razão da escravidão. Os negros e seus descendentes reconstituem possibilidades de enfrentar o mundo que lhes é hostil e adverso.

Candomblé e Modernidade – considerações finais

O Candomblé, embora não se possa dizer que esteja fora da modernidade, implica em pontos de enfrentamento a esse projeto de ocidentalização do mundo pela lógica do mercado. Alguns aspectos da comunidade-terreiro apontam na direção de negar a modernidade. Entre esses pontos podem ser destacados: a relação com o corpo, que deixa de ser uma mercadoria, a impossibilidade da reprodução ad infinitum dos bens, a relação com o tempo e com o espaço.

A crença na palavra do pai fundador que se traduz no culto à ancestralidade, o reforço do sentido coletivo do agir humano que se choca frontalmente com o individualismo moderno; a crença no movimento constante da vida e dos homens, a crença na palavra e a desnecessidade de contratos escritos para garantir o cumprimento de um acordo e finalmente a negação de um dos sentidos da existência, a noção de axé. Para os adeptos do Candomblé a vida é um ato de alegria que se perpetua entre os parceiros do cósmico. Mas viver o hoje não implica uma visão pós-moderna de vida, um imediatismo infrutífero, mas sim, uma relação de ética comunitária, a felicidade de um deve estar imbricada com a felicidade de todos. Afinal isto é Candomblé.

Referências Bibliográficas

SODRÉ,Muniz, A verdade seduzida: Por um conceito de cultura no Brasil: Rio de Janeiro,CODECRI, 1983.
___________, O terreiro e a cidade: A forma social brasileira, Petrópolis: Vozes,1988

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

EXPRESSÕES AFRO-BRASILEIRAS


















A
ÀÀJÀ - Sineta de metal composta de uma, duas ou mais campainhas utilizadas por pais-de-santo (vd.) para incentivar o transe. Também chamado Adjarin.
ABIÃ - Posição inferior da escala hierárquica dos candomblés ocupada pelo candidato antes do seu noviciado; em yorùbá significa "aquele que vai nascer".
ABORÔ - Denominação genérica dos òrìsà (vd.) masculinos, por oposição as iabás, que são as divindades femininas.
ADAHUN - Tipo de ritmo acelerado e contínuo executado nos atabaques (vd.) e agogós (vd.). É empregado sobretudo nos ritos de possessão como que para invocar os òrìsà (vd.).
ADE ? Termo com que se designam (nos candomblés) em especial os efeminados e, genericamente, os homossexuais masculinos.
ADÓSÙU - Diz-se daquele que teve o osùu (vd.) assentado sobre a cabeça. 0 mesmo que iaô.
ADUFE - Pequeno tambor. Instrumento de percussão de uso mais frequente nos xangôs (vd.) no Nordeste.
AFIN - 0 mesmo que ifin. Designa a noz-de-cola branca, na língua yorùbá; por extensão a cor branca (vd. efun).
ÀGBO - Infusão proveniente do maceramento das folhas sagradas as quais se vem juntar o sangue dos animais utilizados no sacrifício e substancias minerais como o sal. Esse Iíquido, acondicionado em grandes vasilhames de barro (porrões), é empregado ao longo do processo de iniciação e para fins medicinais sob a forma de banhos e beberagens.
AGÈ - Instrumento musical constituído por uma cabaça envolta numa malha de fios de contas, de sementes ou búzios (vd.).
AGERE - Ritmo dedicado a Òsóòsi executado aos atabaques (vd.).
AGOGO - Instrumento musical composto de uma ou mais campânulas, geralmente de ferro, percutido por uma haste de metal.
AGONJÚ - Um dos doze nomes de Sòngó (vd.) conhecidos no Brasil.
AIYÉ - Palavra de origem yorùbá que designa o mundo, a terra, o tempo de vida e, mais amplamente, a dimensão cosmológica da existência individualizada por oposição a òrun (vd.), dimensão da existência genérica e mundo habitado pelos òrisà (vd.), povoado, ainda, pelos espíritos dos fiéis e seus ancestrais ilustres.
ÅJÀLÁ - vd. Òòsàálá
AJALAMO - vd. Òòsàálá
AJOGÚN - Palavra de origem yorùbá que designa os infortúnios, como a morte, a doença, a dor intolerável e a sujeição.
ÀKÀSA - Bolinhos de massa fina de milho ou farinha de arroz cozidos em ponto de gelatina e envoltos, ainda quentes, em pedacinhos de folha de bananeira. (Acaçá)
AKIDAVIS - Nome dado nos candomblés Kétu e Jeje (vd. Nação) as baquetas feitas de pedaços de galhos de goiabeiras ou araçazeiros, que servem para percutir os atabaques (vd.).
ÁLÁ - Pano branco usado ritualmente como pálio para dignificar os òrìsà (vd.) primordiais. Geralmente feito de morim.
ALABÊ - Título que designa o chefe da orquestra dos atabaques (vd.) encarregado de entoar os cânticos das distintas divindades.
ALAMORERE - vd. Òòsàálá.
ALÉKESSI - Planta dedicada a Òsóòsi (vd.). Também conhecida como São Gonçalinho ? Casaina silvestre, SW. F LACOURTIACEAE.
ALIÀSE - vd. runko.
AMACIS (ou AMASSIS) - Abluções rituais ou banhos purificatórios feitos com o líquido resultante da maceração de folhas frescas. Entram geralmente em sua composição as folhas votivas do òrìsà do chefe-de-terreiro do iniciando, e as assim chamadas `"folhas de nação" (vd.).
ANIL - vd. Wàjì.
ANGOLA - vd. Nação.
ANGOMBAS - vd. Atabaques.
ARREBATE - Abertura rítmica das cerimonias publicas dos candomblés. 0 modo vibrante de tocar os atabaques (vd.); eqüivale a uma convocação.
ÀSE - Termo de múltiplas acepções no universo dos cultos: designa principalmente o poder e a força vital. Além disso, refere-se ao local sagrado da fundação do terreiro, tanto quanto a determinadas porções dos animais sacrificiais, bem como ao lugar de recolhimento dos neófitos (vd. Runko). É usado ainda para designar na sua totalidade a casa-de-santo e a sua linhagem.
ASSENTAMENTO - Objetos ou elementos da natureza (pedra, árvore, etc.) cuja substância e configuração abrigam a força dinâmica de uma divindade. Consagrados, são depositados em recintos apropriados de uma casa-de-santo. A centralidade do conjunto é dada por um òta, pedra-fetiche do òriìsà (vd.).
ATABAQUES - Trio de instrumentos de percussão semelhantes a tambores que orquestram os ritos de candomblé. Apresentam-se em registro grave, médio e agudo, sendo chamados respectivamente Rum, Rumpi e Lé (ou Runlé). Nos candomblés angola são chamados de Angombas. Sua utilização no âmbito das cerimonias, cabe a especialistas rituais (vd. Alabê e Ogã).
AXOGUN - Importante especialista ritual encarregado de sacrificar, segundo regras precisas, animais destinados ao consumo votivo.
AXÉ - Energia, poder, força da natureza.Poder de realização através de força sobrenatural. A palavra Axé também pode ser usada para se referir ao terreiro, Ilê Axé (Casa de Axé)..

B
BABAÇUÉS - vd. Candomblés.
BÀBÁLÁWO - Sacerdote encarregado dos procedimentos divinatórios mediante o òpèlè de Ifá, ou rosário-de-Ifá.
BABALORIXÁ - Sacerdote chefe de uma casa-de-santo. Grau hierárquico mais elevado do corpo sacerdotal, a quem cabe a distribuição de todas as funções especializadas do culto. É o mediador por excelência entre os homens e os òrìsà. 0 equivalente feminino é denominado ialorixá. Na linguagem popular, são consagrados os termos pai e mãe-de-santo. Nos candomblés jeje ? doté e vodunô; e nos angola ? tata de inkice.
BABALOSSAIN - vd. Olossain.
BANHA-DE-ORI - Espécie de gordura vegetal obtida pelo processamento das amêndoas do fruto de uma árvore africana que é vendida nos mercados brasileiros para uso ritual nas casas-de-santo. Diz-se também "banha-de-Oxalá" e "limo-da-costa". A mesma denominação é dada a gordura de origem animal extraída do carneiro.
BANHOS - vd. Àgbo. vd. Amacis.
BARCO - Termo que designa o grupo dos que se iniciam em conjunto. Suas dimensões são variáveis. Há barcos de mais de vinte neófitos e "barcos-de-um-só". Através do barco se consegue a primeira hierarquização dos seus membros na carreira iniciática. Como unidade de iniciação gera obrigações e precedências imperativas entre os irmãos-de-barco ou irmãos-de-esteira.
BARRACÃO - vd. Casa-de-santo.
BATUCAJÉ - Com este termo costumava designar-se a percussão que acompanha as danças nos terreiros; por extensão designa também as danças.
BATUQUES - vd. Batucajé. vd. Candomblés.
BOMBOJIRA - vd. Èsù.
BORÍ - Ritual que, juntamente com a lavagem-de-contas, abre o ciclo iniciático. Fora deste ciclo, rito terapêutico. Em ambos os casos, consiste em "dar de comer e beber a cabeça".
BÚZIOS - Tipos de conchas de uso recorrente na vida cerimonial dos candomblés. Especialmente servem às práticas do dilogun ? sistema divinatório onde são empregados geralmente dezesseis búzios.

C
CABAÇA - Fruto do cabaceiro (Cucurbita lagenaria L., ou Lagenaria vulgaris ?cucurbitácea, e outras espécies). Sua carcaça é freqüentemente utilizada nos cultos afro-brasileiros como utensílio, instrumento musical" insígnia de òriìsà ou mesmo para representar a união de Obàtálá e Odùduwà (o Céu e a Terra).
CABOCLOS - Espíritos ancestrais cultuados nos candomblés-de-angola, de caboclos e na umbanda. São representados, geralmente, como índios do Brasil ou de terreiros da África mítica.
CAMARINHA - vd. Runko.
CANDOMBLÉS - Designação genérica dos cultos afro-brasileiros. Costumam, no entanto, distinguir-se pelas suas designações regionais: candomblés (leste-setentrional, especialmente Bahia), xangôs (nordeste-oriental, especialmente Pernambuco), tambores (nordeste ocidental, especialmente São Luís do Maranhão), candomblés-de-caboclo (faixa litorânea, da Bahia ao Maranhão), catimbós (Nordeste), batuques ou parás (região meridional, Rio Grande do Sul,,Santa Catarina e Paraná), batuques e babaçuês (região setentrional, Amazonas, Pará e Maranhão), macumba (Rio de Janeiro e São Paulo).
CANDOMBLÉS-DE-CABOCLO - vd. Caboclo. vd. Candomblés.
CASA-DE-SANTO ? Designação do espaço circunscrito que constitui a sede de um grupo de culto. Costuma chamar-se também de ilé (kétu), roga e terreiro (angola) e, em alguns casos, barracão. Este ultimo termo serve também para designar o recinto onde ocorrem as festas públicas.
CATIMBO - vd. Candomblés.
CAURIS - vd. Búzios.
CAXIXI - Chocalho de cabaça e de vime trançado, contendo sementes ou seixos. Em alguns casos, vasilhames rituais em miniatura.
CESTO-DA-CRlAÇÃO - 0 saco-de-existência (àpò aiyé), que, na cosmologia do povo-de-santo, Olódùmarè deu a Obàtálá para que criasse o mundo a flor das águas primordiais. Foi, no entanto, Odùduwà quem verteu o seu conteúdo sobre a superfície das águas.
CONGO - vd. Nação.
CONTRA-EGUN - Trança de palha-da-costa que os neófitos trazem amarrada nos dois braços, logo abaixo do ombro, com a finalidade de afastar os espíritos dos mortos.

D
DAN - Serpente sagrada (Daomé ? Benin) representando a eternidade e a mobilidade sob a figura de uma cobra que engole a própria cauda. Genericamente designa os filhos-de-santo da nação jeje; encontrando-se sincretizada com Òsùmàrè e Besen.
DANDALUNDA - vd. Yemoja.
DEFUMADOR - Composto de essências aromáticas, folhas e cascas, usado ritualmente em fumigações propiciatórias e terapêuticas.
DENDÊ - Palmeira africana aclimatada no Brasil (Elaeis guineensis; Jacq.) de ampla utilização na liturgia dos candomblés. 0 óleo obtido dos seus frutos (azeite-de-dendê) é considerado indispensável para a elaboração de grande parte das comidas-de-santo. Suas folhas servem para guarnecer entradas e saídas das casas-de-santo (vd. màrìwò).
DESPACHO - Tipo de oferenda dedicada a Èsù, quer no início das crimônias (vd.Pàdé), quer nas encruzilhadas, nos matos, rios e cemitérios.
DIA-DO-NOME - vd. Orúko.
DIJINA - Nome iniciático dos filhos-de-santo dos candomblés de nação angola.
DILOGUN (Érìn dínlógun) - Nome dado à adivinhação com búzios que podem ser de 4 a 36 (mais comumente 16). Nesse jogo de Ifá as respostas ao oráculo são dadas por Èsù.
DIVERSIDADE - Diferença, dessemelhança, dissimilitude, variação, contradição, oposição.
DÓBÁLÈ - Cumprimento prescrito aos iniciados de òrìsà femininos diante dos lugares consagrados ao culto, pai ou mãe-de-santo, òrìsà e graus hierárquicos elevados. 0 termo iká designa o seu correspondente para o caso de filhos-de-santo de brisa masculinos.

E
EBO - Termo que designa, genericamente, oferendas e sacrifícios, Usa-se também trabalho, despacho e, as vezes, feitiço.
EBÔMIN - Pessoa veterana no culto; título adquirido após a obrigação de sete anos. Opõe-se a iaô, sendo equivalente a vodunci.
ÈÈWÒ - vd. Quizila.
EFUN - Nome dado a argila branca com que são pintados os neófitos. Essa pintura corresponde ao que se chama de "mão-de-efun" (vd. 18-Efun). Como sinônimo de efun ocorre, também, afin.
EGÚN - Nome genérico dos espíritos dos mortos.
EGÚNGÚN - Espíritos dos ancestrais, cultuados especialmente em terreiros situados na Ilha de Itaparica, na Bahia.
ELÉEBO - Aquele em nome do qual se faz o sacrifício ou oferenda.
ENI - Nome dado a esteira de palha utilizada pelos neófitos, sobretudo durante o período de reclusão. É empregada como "mesa", "cama" e "tapete" em distintos ritos. No candomblé é usual a expressão "irmãos-de-esteira" para designar o conjunto de neófitos reclusos ao mesmo tempo, e que eventualmente tenham partiIhado esse artefato simbólico na liturgia da iniciação.
EQUÉDE - Cargo honorífico circunscrito às mulheres que servem os òrìsà sem, entretanto, serem por eles possuídos. É o equivalente feminino de ogã:
ERÉ - Termo que caracteriza um estágio de transe atribuído a um espírito-criança.
ESSA - Espíritos de ancestrais ilustres do candomblé.
ÈSÙ - Primogênito da criação. Também conhecido como Elégbára (jeje) é popularmente referido como compadre ou homem-da-rua. Suscetível, irritadiço, violento, malicioso, vaidoso e grosseiro. Dizem que provoca as calamidades publicas e privadas, os desentendimentos e as brigas. Mensageiro dos` òrìsà e portador das oferendas. Guardião dos mercados, templos, casas e cidades. Ensinou aos homens a arte divinatória. Costuma-se sincretizá-lo com o diabo. Ocorre tanto em representações masculinas como femininas. Nas casas angola é Bombogira; nas casas angola-congo é (Exúlonã). Na umbanda tem múltiplas personagens, entre elas, Pomba-gira. Suas cores são o vermelho e o preto. Saudação ? "Laró yè!".
ESTEIRA - vd. Eni.

F
FAMÍLIA-DE-SANTO - Termo de referencia que designa os laços de parentesco místico nos quais incorre o filho-de-santo em virtude da iniciação.
FEITO - 0 mesmo que adósùu e iaô.
FEITURA - Processo de iniciação que implica em reclusão, catulagem, raspagem, pintura, instrução esotérica, imposição do osùu (vd.) e apresentação publica (vd.) orúko.
FILHO-PEQUENO - Termo de parentesco místico que se refere a um laço interposto pela iniciação entre um noviço e seu padrinho, gerando obrigações e deveres semelhantes aos do compadrio (vd. Mãe-pequena).
FILHO-DE-SANTO - Diz-se de todo aquele que é afiliado ao candomblé. (vd.Povo-de-santo).
FIRMA - Fecho de colar de forma cilíndrica. Suas cores indicam a vinculação de seu portador a um determinado òrìsà.
FÓN - vd. Jeje. vd. Nação.
FUNK - Estilo bem característico da música negra norte-americana, desenvolvido por artistas como James Brown e por seus músicos, especialmente Maceo e Melvin Parker.

G
GANZÁ - Instrumento musical de percussão, semelhante a um chocalho, geralmente de folha-de-flandres e forma cilíndrica, contendo em seu interior pedaçosde chumbo ou seixos.

I
IABÁ - vd. Aborô.
IÁBASSÉ - Especialista ritual encarregada do preparo das comidas votivas dos òrìsà.
IÁ-EFUN - Especialista ritual encarregada das pinturas corporais durante o período de iniciação. Embora esse título honorífico signifique literalmente "mãe-do-efun", o ofício litúrgico não se limita às pinturas com o pigmento branco (efun). São também empregados: wájí e osùn, respectivamente as cores azul e vermelho.
IYÁ EGBÉ - Titulo honorífico importante na hierarquia dos terreiros que distingue sua portadora como "mãe-da-comunidade".
IÁLAXÉ - Titulo honorifico geralmente ostentado pela própria mãe-de-santo, significando "mãe-do-axé" ou "zeladora-do-axé".
IALORIXÁ - vd. 8abalorixá.
IAÔ - Termo que designa o noviço após a fase ritual da reclusão iniciatória. Em yorùbá significa "esposa mais jovem".
IFÁ - Deus dos oráculos e da adivinhação. Senhor do destino. Há quem afirme ser sua representação a cabaça envolvida por uma trama de fios de búzios. Sua cor é o branco. Seu dia é a quinta-feira. Conhecido também como Òrúnmìlà, "somente-o-céu-sabe-quem-será-salvo". Saudação ? "Eèpààbàbá/"
IGBÁ ODÙ - Expressão yorubá que designa a cabaça ou o artefato litúrgico que contém no seu interior os elementos simbólicos e as substancias que tornam possfvel a existência individualizada.
IGBÁ-ORÍ - Expressão yorùbá que designa, no rito do borí, o recipiente em que vão sendo depositadas as substancias constitutivas e reveladoras da identidade do sacrificante. Literalmente significa "cabaça-da-cabeça". Na liturgia dos candomblés é freqüentemente utilizada a forma ibá, com o mesmo sentido.
ÌGBÍN - Cadência rítmica lenta executada pela orquestra cerimonial em louvor a Òòsàálá. 0 termo designa também o molusco gasterópode terrestre, com concha univalva, corpo prolongado e tentáculos na cabeça. E o caracol também conhecido como "o boi de Òòsàálá" e sua oferenda predileta. Na linguagem corrente dos candomblés é usual a forma ibí.
ÌJÈSÃ - vd. Nação.
IKÁ - vd. Dòbálé.
ÌKÓÒDÍDE - Pena vermelha do papagaio-da-costa (Psittacus eritacus, sp.). Simboliza o nascimento do novo filho-de-santo e, de um modo geral, a fecundidade.
ILÉ - vd. Casa-de-santo.
ILÉ-ÒRÌSÀ - Expressão yorùbá que designa a dependência de uma casa-de-santo onde se encontram depositadas as diferentes insígnias e objetos que compõem a representação emblemática de cada um dos òrìsà. É também conhecida a forma "quarto-de-santo" ou "casa-do-santo".
INKICE - vd. Òrìsà.
IRMÃO-DE-AXÉ - Termo de referência que designa a relação de parentesco místico entre os membros de uma mesma casa-de-santo. Diz-se, também, irmão-de-santo.
IRMÃO-DE-BARCO - vd. Barco.
IRMÃO-DE-ESTEIRA - vd. Eni.
ÌYÁSAN - Divindade das tempestades e do Rio Niger, mulher de Ògún, e, depois, de Sòngó. Relacionada com os vendavais, os raios e os trovões. Sincretizada com Santa Bárbara. Seu dia da semana é a quarta-feira. Suas insígnias são a espada e o espanta-moscas de crinas de cavalo. Suas cores são o vermelho escuro e o marrom. Considerada a mãe dos egún, que é a única a dominar. Saudação ? "Eparrei !"



J
JEJE - vd. Nação. vd. Fón.
JELÚ - Um dos nomes pelos quais é conhecido Èsù Àjelú ou Ijelú.

L
LAVAGENS - Termo genérico pelo qual são designados os ritos Iustrais dos candomblés. Esses ritos purificatórios podem ser exercitados sobre os colares cerimoniais, as pedras (òtá) consagradas aos òrìsà, e nos templos. A mais tradicional manifestação publica dessa cerimônia é realizada na Igreja de N. S. do Bonfim, na Bahia.
LAVAGEM-DE-CONTAS - Rito de agregação que consiste em lustrar os colares sagrados. Esse ritual marca o aparecimento do postulante como abiã, vinculando-o a estrutura hierárquica de uma casa-de-santo.
LÒGÚN EDE - Divindade yorùbá considerada no Brasil filho de Ibualama ou Inle (Òsóòsì) e Òsun Yéyéponda. Homem durante seis meses, jovem e caçador. Nos outros seis, mulher, bela ninfa que só come peixes. Suas insígnias são o ofà (vd.) e o leque dourado (abebe) de Òsun. Suas cores são o azul e o amarelo-ouro translúcido. Seu dia da semana é quinta-feira. Saudação ? "Lóògún!"

M
MACUMBA
- Denominação genérica de cultos afro-brasileiros com influências católicas e espíritas, que se desenrolam em meio a danças e cânticos rituais, ao som de instrumentos de percussão.
MÃE-CRIADEIRA - Termo de referência que designa a ebômin encarregada de atender o noviço durante o seu período de reclusão. É a responsável pelo preparo e administração dos alimentos; higiene pessoal; guarda-roupa e instrução do neófito nos mistérios do culto. Por isso, diz-se que "cria" aquele que está sendo iniciado.
MÃE-DE-SANTO - vd. Babalorixá.
MÃE-PEQUENA - Título honorífico feminino que corresponde à segunda pessoa na ordem hierárquica de uma casa-de-santo. Também ocorre a forma ia-kekerê. Seu equivalente masculino é pai-pequeno. Diz-se, também, mãe ou pai-pequeno daquele que, ao lado da mãe ou pai-de-santo, encarrega-se da formação do iaô (vd. Filho-pequeno).
MÀRÌWÒ - As folhas desfiadas do dendezeiro (Elaeis guyneensis, A. Cheval, PALMAE) que guarnecem as entradas de uma casa-de-santo contra os egún, os espíritos dos mortos.
MATAMBA - vd. Ìyásan.
MAWU - vd. Òòsàálá
MOJÚBÀ - Louvação endereçada aos ancestrais ilustres, forças da natureza e aos próprios òrìsà, durante os ofícios litúrgicos.
MUZENZA - Diz-se dos filhos-de-santo nos candomblés de "nação" angola. 0 mesmo que iaô. Por extensão, designa a primeira saída pública do neófito no rito angola. Significa, literalmente, "estranho ser animado", na etimologia da língua kikongo.

N
NAÇÃO
- Designa, no Brasil, os grupos que cultuam divindades provenientes da mesma etnia africana, ou do mesmo subgrupo étnico. Mo exemplos do primeiro caso as "nações" congo, angola, jeje, ao passo que o segundo caso é ilustrado por kétu, ijesà e òyó,correspondentes aos subgrupos da etnia nagô. Trata-se, na verdade, de categorias abrangentes as quais se reduziram as múltiplas etnias que o tráfico negreiro fez representadas no Pais. 0 termo tem servido para circunscrever os traços diacríticos através dos quais se revela um mundo caracterizado por um notável conjunto de elementos comuns. Tem servido, além disso, paia hierarquizar esse universo em termos da maior ou menor "pureza" atribuída a cada "nação" em virtude de uma suposta fidelidade e autenticidade litúrgicas.
NÀNÁ - Divindade das águas primordiais, dos pântanos e brejos. Daí associada quer ao limo fertilizante e a vida, quer a putrefação e a morte. Considerada mãe de Omolú é sincretizada com Sant'Ana. Suas cores são o vermelho, o branco e o azul que exibe em seus colares. Sua insígnia é o Ibiri ? artefato confeccionado com a nervura central das folhas do dendezeiro, de ápice recurvo como um báculo. Seu dia é sábado. Saudação ? "Sálùba"
NOZ-DE-COLA - vd. Obì.

O
OBÁ - Terceira mulher de Sòngó, Obá é a deusa nigeriana do rio do mesmo nome. Muitas vezes se confunde com Ìyásan, pois, além de casada com Sòngó, usa também espada de cobre. Na outra mão leva, seja um escudo, seja um leque com o qual esconde uma de suas orelhas em lembrança do episódio mítico que deu margem à sua rivalidade com Òsun. No Brasil é sincretizada com Santa Catarina e Santa Joana d'Arc. Seu dia é quarta-feira. Seus colares são de contas alternadamente amarelas e vermelhas de tonalidades leitosas. E saudada como "Obáxireê!"
OBALÚWÀIYÉ - É a "forma" jovem de Sòpònnón, do qual Omolu é a "forma" velha. Divindade da varfvola e das moléstias infecto-contagiosas e epidêmicas, consta como filho de Nàná, criado por Yemoja, e, portanto, irmão de Òsùmàrè Veste-se todo de palha, com o que cobre as suas ulcerações. Sua saudação ? "Atotó!" ? significa "Calma!", exigida a um deus tão poderoso e temível. Sua insígnia é o sàsàra ? feixe de nervuras das folhas do dendezeiro, amarrado com tiras de couro, em vermelho e preto (ou branco e preto), incrustradas de búzios. É sincretizado, no Brasil, com São Roque, as vezes, com São Lázaro e ainda com São Sebastião, em Recife.
OBÀTÁLÁ - vd.Òòsàálá.
ÒBE - Termo que designa a faca usada nos sacrifícios, por extensão qualquer faca no jargão do candomblé.
0BÌ - Fruto de uma palmeira africana (Cola acuminata, Schott. & Endl. ? STER-CULIACEAE) aclimatada no Brasil. Indispensável no candomblé, onde serve de oferenda para os òrìsà e é usado nas práticas divinatórias simples, cortado em pedaços.
OBRIGAÇÃO - vd. Ebo.
OBRIGAÇÃO DE SETE ANOS - E uma das obrigações mais importantes da carreira iniciática. Equivale a um autentico rito de investidura, a partir do qual, tornando-se ebômin, o filho-de-santo pode proceder a iniciação de outros.
ODÙ - Pronunciamento oracular resultante da prática divinatória com o òpèlè (vd.), com os cocos de dendê (vd.) ou com os búzios (vd.). Há 16 odù primários ou maiores. Suas combinações com os 16 secundários resultam em 256, cujos desdobramentos chegam a 4.096. Cada odù é nominado e pertence a uma divindade.
ODÙDUWÀ - Divindade yorubá, ora apresentada, nos mitos, como masculino e irmão de Obàtálá (vd.) (vd. também Cesto-da-criação), ora como feminino e, no caso, esposa deste ultimo. Odùduwà significa "a cabaça de onde jorrou a vida". É evocada, no Brasil, em alguns terreiros (vd.) e, também, no candomblé-dos-eguns de Itaparica (vd. Egúngún).
ODUNDUN - A folha-da-costa ou saião africano (Kalanchoe brasiliensis, Comb.? CRASSULACEAE). Uma das folhas rituais mais importantes dos candomblés.
OFÀ - Designa o instrumento simbólico de Òsóòsi, consistindo num arco e flecha unidos em metal branco ou bronze.
OGÃ - Título honorífico conferido, seja pelo chefe do terreiro, seja por um òrìsà incorporado, aos beneméritos da casa-de-santo, que contribuam com sua riqueza, prestígio e poder, para a proteção e o brilho do àse (vd.). Esse tipo de titulatura admite uma série de especificações que abrangem, desde cargos administrativos, até funções .rituais. A iniciação dos ogãs é mais breve e se distingue daquela dos iaôs (vd.), por excluir a catulagem, a raspagem e alguns outros rituais. Tal como as equédes (vd.) os ogãs não são passíveis de transe.
ÒGÚN - Divindade da forja e dos usuários do ferro; por extensão, da guerra e da agricultura e, também, da caça ou de todas as demais atividades que envolvem a manipulação de instrumentos de ferro. É rei de Iré e por isso chamado, no Brasil, Oníré. Costuma ser representado por um semicírculo soldado a base por uma haste, no qual se encontram, pendurados no arco do semicírculo, todo o tipo de instrumentos, que, como o conjunto inteiro, são de ferro. E filho de Yemoja e irmão de Èsú e Òsóòsì. Por isso, tem a ver com os caminhos, a caça e a pesca. Pertence-Ihe a faca sacrificial ? o òbe (vd.). Os colares são de contas verdes ou azul-escuro (em angola). Seu dia é a terça-feira. Saudação ? "Ògún yé!".
OLÓDÙMARÈ - vd. Olóòrun.
OLÓÒJÀ - Expressão yorubá que na língua ordinária significa seja o vendedor, seja o dono do mercado. Na cosmologia do povo-de-santo, a locução dono-do-mercado equivale a um dos títulos de Èsú.
OLÓRÍ - Termo que designa o "dono da cabeça", isto é, o òrìsà pessoal de cada iniciado (vd. Orí).
OLÓÒRUN - Divindade suprema yorubá, criador do céu e da terra. Deus do firmamento. É o Eléeda, "senhor-das-criaturas-vivas"; o eléèémí "dono-da-vida"; que criou o homem e a mulher a partir do barro, encarregando seu filho, Obàtálá, de moldá-los e animá-los com o sopro vivificante. De caráter inamovível, é o numinoso que permanece fora do alcance dos homens que não Ihe podem render culto. Não tem insígnias. Sua cor é o branco absoluto. É também chamado de Olódù-marè.
OLOSSAIN - Sacerdote encarregado da coleta e da preparação ritual das ervas sagradas na liturgia dos candomblés. 0 mesmo que babalossain.
ÒÒSÀÁLÁ - Este é o nome pelo qual se conhece, no Brasil, Obàtálá (o Senhor do Pano Branco) e significa "o grande òrisà". Filho de Olóòrun (vd.) foi encarregado por este de criar o mundo e os homens. Nesta ultima condição é portador dos títulos de Àjàlá, Àjàlámò e Alá-morerê. Apresenta-se ora como um jovem guerreiro, simbolizado pelo arrebol ? Òsògìnyón, ora como um velho, curvado ao peso dos anos, simbolizado pelo sol poente ? Òsòlúfón. Suas insígnias, em prata lavrada, são, em conseqüência, ora a espada e o pilão, ora o òpásorò ? um bastão com aros superpostos, adornados de pingentes, encimados por um passado (em geral uma pomba) ? símbolo do poder. Costuma-se sincretizá-lo com Nosso Senhor do Bonfim. Sua cor heráldica é o branco e seu dia a sexta-feira. A ele se dedica a grande festa popular da "lavagem do Bonfim" (vd. Lavagem). Saudação ? "Eèpàà bàbá! Eèpàà èé!"
ÒPÈLÈ ? Colar aberto no qual se encadeiam oito metades de coquinhos de dende, mediante um fio trançado de palha-da-costa. É o instrumento divinatório privativo dos autênticos sacerdotes de Ifá (vd. ? Os bàbáláwo (vd.).
ORÍ - Termo que designa a cabeça na vida litúrgica dos candomblés. É, além disso, uma divindade doméstica yorubá guardiã do destino e cultuada por adeptos de ambos os sexos. Também se diz que é a alma orgânica.perecível, cuja sede é a cabeça ? inteligência, sensibilidade, etc.
ORÍKÌ - Conjunto de narrativas da saga mística dos òrìsà que proclamam seus feitos. Ocorre também sob a forma de pequenos enigmas endereçados a uma pessoa como voto de bons augúrios.
ÒRÌSÀNLÁ - É um título de Obàtálá, a partir do qual se formou, no Brasil, o nome Oxalá.
ÒRÌSÀ - Qualquer divindade yorubá com exceção de Olóòrun (vd.). Seus equivalentes fón (vd.) são voduns. A designação das divindades do culto angola-congo que Ihe correspondem é inkice. Essas equivalências são imperfeitas, pois, ao passo que uns são forças da natureza, outros são espíritos que retornam sob a representação de animais, enquanto outros ainda são espíritos ancestrais.
ORÓGBÓ - Fava de uma planta africana adaptada no Brasil (Garcinia Kola, Hae-ckel, GUTTIFERAE).
ORÚKO - Expressão yorubá, empregada na liturgia dos candomblés, que significa "qual é o teu nome?". Ocorre na mais expressiva cerimonia publica do candomblé, conhecida como saída-de-santo, dia-do-nome, saída-de-iaô e muzenza.
ÒRUN - vd. Aiyé.
ÒRÚNMÍLÀ - vd. Ifá.
ÒSÓNYNÌN - Òrìsà das folhas litúrgicas e medicinais, imprescindíveis para a realização do culto. Na África é considerado companheiro de Ifá e também adivinho. Seu emblema são sete hastes de ferro pontiagudas, das quais a haste central é encimada por um pássaro. As sete hastes estão soldadas pela base, formando, no seu ápice, um círculo em torno da haste com o pássaro. As cores das contas de seus colares são o verde (ou azul) e o vermelho leitoso. Seu dia é, para alguns, a seguinda, e para outros, a quinta-feira. Sua saudação ? "Ewé ó!"
ÒSÓÒSÌ - Filho de Yemoja, irmão de Ògún (vd.), companheiro de Èsú e Òsónyìn, este òrìsà, considerado rei de Kétu, tem o título de ode (o Caçador). No Brasil é sincretizado, seja com São Jorge (na Bahia), seja com São Sebastião (no Rio de Janeiro e Porto Alegre). Seu símbolo é o ofà (vd.). 0 cotar votivo é de contas azul-de-viena (azul esverdeado). Saudação ? "Òkè àró"
ÒSÙMÀRÈ - Costuma ser identificado com o arco-íris e com a serpente. Representa a continuidade, o movimento e a eternidade. No Brasil é considerado irmão de Obalúwàiyé (vd.) e filho de Nàná (vd.), possivelmente em virtude de sua origem daomeana. Dele se diz que é o Rei de Jeje. Seu símbolo são as duas cobras que leva nas mãos quando dança, sendo uma masculina e outra feminina, alusão ao seu caráter duplo de macho e fêmea. Dia consagrado: terça-feira. Colares de contas verdes e amarelas listradas. Saudação ? "Aróbò bo yí!" Sincretizado com São Bartolomeu.
ÒSÚN - Divindade das águas, em particular no Rio Òsún, na Nigéria. E a segunda esposa de Sòngó, mas foi casada também com Ògún e Òsóòsì. Deste ultimo casamento nasceu Lògún-ede (vd.). Seus símbolos são o leque dourado e a espada. É pois uma iabá que se caracteriza pela coqueteria, gostando de enfeites e jóias de ouro (ou cobre amarelo). Tem o título de Ialodê ? chefe das mulheres do mercado, sendo sincretizada no Brasil com diversas Nossas Senhoras (da GIória, da Conceição, do Carmo, das Candeias, da Candelária) e com Santa Luzia. Além disso, é a Rainha de Òsogbo e Òyó. Seus colares são de contas amarelo-douradas translúcidas. Saudação ? "Rora yèyé o!" Seu dia é o sábado.
OSÙU - Artefato cônico, confeccionado a partir de substâncias sagradas de origem animal, vegetal e mineral, imposto a cabeça do noviço após as incisões rituaisfeitas sobre o alto do crânio (vd. Adósùu).

P
PÀDÉ - Rito que é desempenhado no início das cerimônias do candomblé em homenagem a Èsù, considerado necessário como rito propiciatório, pois as primí
cias sacrificiais devem caber aquele que é, além de primogênito da criação, o portador titular de qualquer oferenda. 0 seu não cumprimento é visto como implicando em perturbação de toda a ordem ritual.
PAI-DE-SANTO - vd. Babalorixá.
PAI-PEQUENO - vd. Mãe-pequena.
PALHA-DA-COSTA - Tipo de palha proveniente da Costa da África, com que se designa a região sudanesa da África Ocidental (Golfo da Guiné). Usa-se trançada em diferentes artefatos litúrgicos.
PATÉWÓ ou ÌPATÉWÓ - Palmas em cad0ncia sincopada empregadas como saudação aos òrìsà, bem como em circunstâncias que impõem o silencio, como no caso do recolhimento, para indicar uma necessidade a ser atendida. Diz-se paô.
PARÁS - vd. Candomblés.
PEJÍ - Espécie de altar onde se encontram dispostos os diversos tipos de insígnias da divindade, como as pedras votivas (òta), armas e demais objetos simbólicos, e onde estão dispostos os recipientes contendo as comidas ofertadas aos òrìsà.
PEMBAS - Espécie de giz de diferentes cores que é usado para traçar desenhos mágico-religiosos e de caráter invocatório. E mais freqüentemente empregado nos ritos de umbanda.
POMBA-GIRA - vd. Èsù.
POVO-DE-SANTO - Designação coletiva que abrange o conjunto dos filhos-de-santo de todos os candomblés.
PRETOS-VELHOS - Termo que designa um tipo de entidade característica dos cultos de umbanda. Representam os espíritos de negros escravos que se notabilizaram por sua humildade, sabedoria e magia. São conhecidos como Vovô/Vovó, Tio/Tia e Pai/Mãe.

Q
QUEBRA-DE-QUIZILA - vd. Quizila.
QUILOMBO - Local onde viveram os escravos fugidos. Locais povoados por negros fugidos, os quais, no século XVII se estabeleceram no interior do país, formando uma república. Ex: O Quilombo dos Palmares, em Alagoas.
QUITANDA-DE-IAÔ - Rito do ciclo iniciático em que são rompidos alguns dos tabus que cercam o noviço. Consiste no desempenho dramático de funções e atividades evocativas de situaq5es do quotidiano. 0 termo alude, ainda, a venda que o iaô efetua de produtos variados (frutas, doces, etc.) expostos sobre tabuleiros,como nas feiras e mercados. A origem do termo quitanda é kimbundo e significa expor, e, por extensão, feira ou mercado.
QUIZILA - Interdito ritual; o mesmo que èèwò. Na liturgia dos candomblés há um ciclo cerimonial, onde se realiza o rompimento dos tabus que circundam o noviço durante a iniciação, conhecido como quebra-de-quizila. Dele fazem parte o panán e a quitanda-de-iaô

R
RAP - Gênero musical surgido no início dos anos 1970 nos Estados Unidos da América, sendo seu nome a sigla para rhythm and poetry (Ritmo e Poesia). A música rap é um dos elementos do Hip hop; é uma espécie de texto com rimas falado em ritmo com instrumentos musicais.
ROÇA - vd. Casa-de-santo.
RUM, RUMPI, RUNLÉ - vd. Atabaques.
RUNKO - Termo pelo qual se designa o aposento destinado a reclusão dos neófitos durante o processo de iniciação. f conhecido também como alíase, camarinha ou ainda àse.

S
SAÍDA-DE-SANTO - vd. Orúko.
SAKPATÁ - vd. Obalúwàiyé.
SANTO - vd. Òrìsà.
SAWORO - Artefato de palha trançada e que tem como fecho um guizo. 0 noviço deve tê-lo atado ao tornozelo, e port5-lo durante um largo período ap6s a sua reclusão. Um dos símbolos cerimoniais da sujeição do iaô numa casa-de-santo.
SIRI - Conjunto de danças cerimoniais onde ocorrem distintos ritmos, cânticos e estilos coreográficos característicos do desempenho de cada Òrìsà.
SÒNPÒNNÓN - vd. Obalúwàiyé.
SÒNGÓ - Divindade iorubana do raio e do trovão. Descendente do fundador mítico da cidade de Òyò e seu 4º. rei. Seu símbolo é o machado duplo, notabilizando-se ainda como o dono da pedra-do-raio, indispensável aos seus assentamentos. E viril, como atestam suas várias esposas (Òsun, Oba, Oya), violento e guerreiro, distinguindo-se, sobretudo, pelo seu senso de justiça, aspecto mais desenvolvido da sua representação no Brasil, e que o liga a São Jerônimo, com quem é sincretizado. Suas cores são o vermelho e o branco. Seu dia é quarta-feira. Saudação ? "Ká wòóo, ká biyè sí!"


T
TAMBORES-DE-MINA - vd. Candomblés.
TATA-DE-INKICE - vd. Babalorixá.
TEMPO - É um índice. Corresponde ao ìrokò nagô. Muitas vezes seus assentamentos (vd.) se encontram ao ar livre, isto é, "no tempo". Dele se diz que é o dono da bandeira branca que distingue as casas-de-santo (vd.). Seu símbolo é uma grelha de ferro com três pontas-de-lança. É sincretizado com São Lourenço, santo católico que sofreu o martírio sobre uma grelha.
TERREIROS - vd. Candomblés.
TETEREGUN - Planta da família das ZINGlBERACEAE (Costus spicatus, SW.). É conhecida, ainda, como sangolovô e cana-de-macaco. Na classificação das folhas liturgias é considerada de agitaçåo.

V
VODUN - vd. Òrìsà.

X
XANGÔS
- vd. Candomblés.

Y
YEWÀ
- Òrìsà feminino do rio e da lagoa Yewè, na Nigèria. Uma das iabás, considerada ora irmã de iyásan, ora esposa de Òsùmáré. Seu nome significa beleza e graça. As cores de seus colares são o vermelho e o amarelo. Usa como insígnias o arpão, a âncora e a espada. Ha um vodun daomeano com o mesmo nome, cultuado em São Luís do Maranhão. Saudação ? "Riró!".

W
WÁJÌ - Nome litúrgico do anil ou índigo, a cor azul-escura.

Fonte: Expressões retiradas do Livro: A Galinha-D'Angola, de Arno Vogel, Marco Antonio da Silva Mello, José Flávio Pessoa de Barros/Editora Pallas, no Site União Umbandista dos Cultos Afro-Brasileiros. www.uucab.com.br

Danças brasileiras de matriz africana: “Quem dança, seus males espanta!”


Por Denise Guerra *
Pós-Graduada em Cultura Africana e Afro Brasileira - UCB – Brasil
E-mail: denise.guerra@yahoo.com.br


A arte é muito presente na vida dos africanos. Todos os acontecimentos da vida africana são comemorados com música e especialmente com dança, sendo uma interdependente da outra; o que não faltam são os motivos: fertilidade, nascimento, plantio ou colheita, saúde, felicidade, doença e até a morte. A dança originou -se na África como parte essencial da vida nas aldeias; ela interrompe a monotonia e a estrutura do tempo. A dança pode acentuar a unidade entre os membros de um grupo social, sendo possível a participação de homens, mulheres e crianças.

As danças de origem africana geralmente são feitas em círculos ou em fileiras.

Os participantes comumente dançam descalços mantendo a tradição de respeito a terra, pois, na visão do homem africano pertencemos a ter ra assim como nossos ancestrais. Poucas vezes se dança sozinho, há grande preferência pelas danças de pares. Os dançarinos batem palmas, cantam, improvisam, desafiam, mostram suas habilidades sonoro-corporais. Assim como a música ou o teatro, a dança é uma forma de contar histórias.

Conforme a teoria musical, o ritmo é a organização do tempo do som, e as músicas e danças de origem africanas são fundamentalmente rítmicas. O ritmo é uma maneira de transmitir o movimento da vida, como as batidas do co ração. O som, cujo tempo se ordena no ritmo, no sistema yorubá é considerado um condutor de axé (força vital) por excelência. Música, dança, mitos e objetos sagrados em conjunto, são encarregados de acionar o processo de interação entre os homens e as divi ndades, ligando o mundo visível e o mundo invisível (o Aiê e o Orum em nagô).

Num universo de centenas de danças originárias da cultura africana no Brasil, escolhi algumas para este palco iluminado de palavras dançantes. As dançasafricanas no Brasil começam a ser contadas e dançadas pelos batuques, um termo comumente aplicado pelos portugueses aos ritmos e danças dos africanos, que por extensão, designam certas danças afro -brasileiras e era também denominação genérica para os cultos afro-religiosos. Segundo Lopes (2006) “do batuque dos povos bantos de Angola e do Congo originaram-se os principais ritmos e danças do Brasil e
das Américas, como o Samba e o Jongo”.

Dançar imitando os movimentos do cotidiano era o caso do Banguê ou Bangulê uma dança do Pará. Ela surge logo após a abolição da escravatura no município de Cametá, através da chegada dos negros escravizados que haviam fugido dos engenhos de cana-de-açúcar da Ilha de Marajó. A palavra "Banguê" significa “padiola em que se conduziam cadáveres de escravos negros” e ainda "engenho de açúcar", por isso a dança também é conhecida como "dança dos engenhos".

Nesta dança, homens e mulheres se movem com movimentos ondulatórios imitando o melado que desce do tacho superaquecido quand o se está fazendo o mel de cana. Em alguns momentos da apresentação, os participantes se movem de forma mais rápida, fazendo representar a alegria dos escravos quando ocorriam as paradas nos intervalos das atividades no engenho. A musicalidade presente no Banguê relembra a vida, o sofrimento e a identidade cultural dos negros escravos que trabalhavam em engenhos do Pará.

Dançar pode ser sagrado: o Jongo é uma dança de roda e de umbigada que veio com os africanos das regiões do Congo e de Angola, trazidos p ara o trabalho escravo na região sudeste brasileira. O Jongo, também chamado de Caxambu, é uma dança voltada para o divertimento, mas, é permeada por aspectos religiosos. Além da dança, o Jongo traz em sua música “os pontos”, verdadeiros enigmas para serem desamarrados por quem entende seus fundamentos. No tempo dos escravos só dançavam os adultos, contudo, com a necessidade de preservação deste patrimônio cultural hoje é dançado até por crianças. O jongo é acompanhado dos tambores Tambu e Candongueiro, dos Guaiás (chocalhos) e da Angoma-puíta (cuíca). O canto é responsorial, há uma marcação com o pé direito quando os casais se encontram, e a improvisação corporal revela os movimentos gingados no prazer do encontro.

O grupo cultural Jongo da Serrin ha no Rio de Janeiro conta que “o jongo influenciou decisivamente o nascimento do samba no Rio de Janeiro”, mas, seus aspectos místicos restringiram-no aos ambientes familiares ao contrário do samba que ganhou espaços em todo o país tornando-se nosso cartão de visitas.

O Lundu, descendente direto dos batuques africanos, é considerado a primeira música afro-brasileira. A dança do Lundu de tão sensual que era, mexeu profundamente com os corpos e com a moral da sociedade do período colonial brasileiro. Desta forma, foi perseguido e proibido pela corte portuguesa e pelo clero, entretanto, como tudo que é forma de cultura popular continuou a ser dançado às escondidas.

A prática da dança do Lundu envolve uma encenação do assédio e da conquista sexual de um homem sobre uma mulher. Em grande parte da dança a mulher esnoba o pretendente, usando de meneios que visam seduzi -lo. Ao final da cena deve ocorrer o clímax do ato sexual, quando o casal pode até deitar -se no chão para representar melhor o dito ato e depois os casais voltam a dançar em pé no salão normalmente. O Lundu que chegou aos salões evitava a última cena, mas, não abdicava da sensualidade em demasia.

O acompanhamento musical já era mesclado de percussões com as cordas (banjo, cavaquinho, rabeca) e instrumento de sopro como o clarinete. O Lundu foi uma das primeiras danças brasileiras de pares enlaçados, pois, até então se dançava umbigada que é dança de pares soltos. No século XIX quando o Lundu tornou -se conhecido, os ritmos ainda não estavam muito bem definidos, desta forma, há alguns questionamentos sobre as semelhanças e diferenças entre o fado, que tendo nascido em terras brasileiras foi se desenvolver em terras lusitanas, e o lundu brasileiro que fez sucesso em Portugal. Tinhorão (1975) cita que há autores afirmando que o fado
seria o segundo nome do lundu.

A maioria das danças tem seus estilos associados a um gênero musical específico, todavia, com a dança do Maxixe isto não aconteceu. O Maxixe foi o primeiro tipo de dança de salão urbana surgida no Brasil. Era dançado em locais que não atendiam a moral e aos bons costumes da época, como em forrós, gafieiras da Cidade Nova e nos cabarés da Lapa, no Rio de Janeiro, por volta de 1875. Entre os ritmos que embalavam o Maxixe estão o tango, a habanera, a polca ou o lundu.

O provocante Maxixe era dançado com os pares enlaçados pelas pernas e braços, apoiando-se pela testa. Essa maneira de dançar lhe valeu o título de “a dança excomungada”. Foi perseguida pela polícia, igreja, chefes de família e educadores.

Para que pudessem ser tocadas em casa de família, as partituras de maxixe traziam o nome inadequado de "Tango Brasileiro". Só no final do século XIX, o maxixe foi considerado um gênero musical, quando o espí rito nacionalista brasileiro aflorado clamava por um aspecto cultural que nos identificasse como tal. Assim, as casas editoriais imprimiram às músicas com esta classificação a seguinte frase: "a primeira dança genuinamente brasileira".

Para vivenciar as danças afro-brasileiras há que se expor a proximidade dos corpos no embalo dos ritmos sincopados, ao aumento da pulsação e da sensação de prazer no movimento e na troca íntima com o par, além de desvendar uma pungência alegre e contagiante. Com a licença poética do compositor Djavan... “Dançar é mover o dom do fundo de uma paixão, seduzir as pedras, catedrais, coração...”.



DANÇAS POPULARES BRASILEIRAS



BATUQUE
É a dança de roda onde os africanos mostravam a sua cultura - foi o tronco principal no que diz respeito à formação da música popular brasileira com toda a sua diversidade e variações que se espalharam nas áreas urbanas e rurais, sob vários nomes e estilos próprios.


SAMBA DE PARTIDO ALTO
Segundo velhos sambistas, a expressão "partido alto" provém da alta dignidade desse samba. Gênero de samba muito próximo do batuque africano, e cultivado na cidade do Rio de Janeiro desde o fim do séc. XIX por grupos de negros já urbanizados. É dança de umbigada, com ritmo marcado por palmas, prato de cozinha raspado com faca, chocalho e outros instrumentos de percussão, e, às vezes, acompanhada pelo violão e pelo cavaquinho.


SAMBA DE RODA
É uma dança que os negros do Congo e de Angola trouxeram para o Brasil e consiste em geral de se fazer uma grande roda em cujo centro um só dançarino ou par, faz evoluções e depois de muitos requebros da uma umbigada em outro dançarino de sexo diferente, que vai por sua vez para o centro, e assim sucessivamente.


BAIANO
Antiga dança folclórica do Nordeste brasileiro, uma espécie regional do lundu. A princípio, era executado por um só individuo ou um ou dois pares, que iam ao centro de um em um. A substituição dos solistas podia ser feita por meio de umbigada, ao som de castanholas, cumprimentos ou acenos de mão, ou ainda, jogando-se o "lenço da sorte".
O baiano (ou baião) em sua forma antiga é encontrado em nossos dias como dança e música no Bumba-meu-boi, nos solos de personagens como Mateus e Fidélis, sendo Pernambuco o seu grande reduto.


FREVO
A palavra Frevo, derivada de frever (ferver) designa a dança carnavalesca de rua e de salão, essencialmente rítmica, em compasso binário e andamento mais rápido que o da marchinha carioca, e na qual os dançarinos (passistas) executam coreografia individual, improvisada e frenética. É uma dança brasileira, originária do Nordeste do país.


QUILOMBO
Folguedo, usado no interior de AL durante o Natal, em que dois grupos numerosos, figurando negros fugidos e índios, vestidos a caráter e armados de compridas espadas e terçados, lutam pela posse da rainha índia, acabando a função pela derrota dos negros vendidos aos espectadores como escravos; toré, torém.


LUNDU
Dança de origem africana que teve seu esplendor no Brasil em fins do séc. XVIII e começo do séc. XIX. Dos meados do séc. XIX em diante, canção solista, influenciada pelo lirismo da modinha e freqüentemente de caráter cômico.

COCO
Dança popular de roda do norte e nordeste do Brasil, originária de Alagoas, acompanhada de canto e percussão. Acredita-se que tenha nascido nas praias, daí o seu nome. O ritmo sofreu várias alterações com o aparecimento do baião nas caatingas e agreste. Como compositor que popularizou o ritmo podemos citar Jackson do Pandeiro.


CONGO
Dança dramática de origem africana, que se realiza de preferência pelo Natal, pela festa de Nossa Senhora do Rosário, e pela de São Benedito na região Norte e Nordeste do Brasil.


CONGADA
Bailado dramático em que os figurantes representam, entre cantos e danças, a coroação de um rei do Congo; congado.


MOÇAMBIQUE
Bailado guerreiro de origem negra, sem enredo, ao som de instrumentos de percussão, semelhante às danças de combate das congadas, e no qual o ritmo é marcado com entrechoques de bastões. Comum nos estados brasileiros de Minas Gerais, São Paulo e Goiás.


BUMBA-MEU-BOI
No Brasil de norte a sul encontramos a brincadeira de boi (boi fingido), conforme a região estes possuem características e nomes distintos.
É um bailado popular brasileiro, cômico-dramático, organizado em cortejo, com personagens humanos (Pai Francisco, Mateus, Bastião, Arlequim, Catirina, Capitão Boca-Mole, etc.), animais (o Boi, a Ema, a Cobra, o Cavalo-Marinho, etc.) e fantásticos (a Caipora, o Diabo, o Morto-Carregando-o-Vivo, o Babau, o Jaraguá, etc.), cujas peripécias giram em torno da morte e ressurreição do boi. São palavras sinônimas: boi, boi-bumbá, boi-calemba, boi-calumba, boi-de-mamão, boi-de-melão, boi-melão, boi-de-reis, boi-pintadinho, boi-surubi(m), boizinho, bumba, bumba-boi, cavalo-marinho, rei-de-boi, reis-de-boi, reisado cearense. (Dic. Aurélio).


Exemplos de Bois:


Boi-de-mamão é uma das manifestações mais significativas da cultura popular catarinense. Está presente nos municípios do litoral e principalmente em Florianópolis, Capital de Santa Catarina, onde concentra o maior número de grupos.

Boi-de-orquestra


Bumba-meu-boi mais recente e de música faceira, cabriolante; boi-de-matraca. Pertencente ao folclore do Maranhão - Brasil.

Boi-de-zabumba
Bumba-meu-boi de ritmo mais lento, apoiando-se em grandes tambores enfiados em varas que dois homens carregam, e o músico caminha ao lado, batendo-lhe com um macete. Folclore do Maranhão - Brasil. C


ARIMBÓ
Palavra de origem africana refere-se a uma Dança de roda do litoral paraense. É música folclórica da Ilha de Marajó desde o século XIX.


BALAIO
Antiga dança, espécie de fandango, introduzida no Rio Grande do Sul - Brasil pelos açorianos.

Contribuição na música e na dança

O negro deu seu ritmo à música brasileira. Também lhe deu nomes, como chorinho ou samba. Por isso se diz que a música popular brasileira nasceu na África.

A raiz negra está em tudo: no samba, no pagode, no afoxé, nas festas folclóricas como a do maracatu. Além dos ritmos, os africanos trouxeram também instrumentos, como o berimbau, a cuíca e outros instrumentos de percussão, como o atabaque o berimbau.


Afoxé
Fonte: Wikipedia

Berimbau
Fonte: Wikipedia

Agogô
Fonte: Wikipedia
















O samba era chamado pelos angolanos de semba. Esse gênero musical foi se transformando, ganhou novos instrumentos, chegou ao Rio de Janeiro e atualmente é característico de todas as regiões brasileiras.

Mistura de dança, luta e música, a capoeira também surgiu com os negros, que a utilizavam como arma de defesa. Durante a escravidão, reuniam-se em roda depois do trabalho para cantar, dançar, jogar capoeira ou reverenciar com música os seus orixás. Batiam palmas, batucavam, reviviam suas tradições. E assim a música negra se afirmava em meio a tanto sofrimento.


Os escravos misturavam instrumentos musicais, dança e luta, enganando seus Senhores de Engenho, que pensavam estarem eles apenas "dançando".

A capoeira sofreu repressão por grande parte das autoridades policiais e também os senhores de engenho perseguiam os escravos praticantes de capoeira, porque a atividade dava ao capoeirista um sentido de nacionalidade, individualidade e auto-confiança, formando grupos coesos e jogadores ágeis e perigosos e também porque, às vezes, no jogo, os escravos se machucavam, o que era economicamente indesejável.

O capoeirista era considerado um marginal, um delinqüente. O Decreto-lei 487 acabou temporariamente com a capoeira, mas os negros resistiram até a sua legalização.

Mas, as coisas mudaram em fins da década de 30 do século passado. Um capoerista chamado Manuel dos Reis Machado, Mestre Bimba foi convidado por Juracy Montenegro Magalhães, a ir ao Palácio do Governo baiano. E agora? Mestre Bimba ficou assustado, achou que seria preso!

Para sua surpresa, o governador queria que se apresentasse com seus alunos para mostrar "a nossa herança cultural" para amigos e autoridades no Palácio do Governo.

Em 09 de julho de 1937, Mestre Bimba conseguiu o registro de sua Academia, a primeira reconhecida no país. Nesse ano, inicia-se a ascensão sócio-cultural da capoeira, que volta ao cenário cultural, estando presente na música, nas artes plásticas, na literatura, nos palcos...

Em 15 de julho de 2008 a capoeira foi reconhecida como Patrimônio Cultural Brasileiro e registrada como Bem Cultural de Natureza Imaterial.

E no período da escravidão? Será que havia artistas afro-brasileiros? Sim, e alguns até ficaram famosos, mas a maioria só foi descoberta muito depois de sua morte!

Um pouco depois do período escravocrata, conhecemos alguns músicos negros, pioneiros da chamada música popular brasileira, como José Antônio da Silva Callado e Pixinguinha.

Muito depois, na década de 30, os artistas afro-brasileiros ganharam o seu espaço, sobretudo com o boom do rádio! E aí... milhões de pessoas ouviam os artistas negros.


Foi um tempo em que intelectuais e artistas começaram a reivindicar uma nova percepção de Brasil, como o país da miscigenação e da democracia racial.

Foi Carmem Miranda, uma mulher branca, a eleita "Rainha do Samba". Não por acaso. Sabe-se que a artista divulgava a música de artistas negros, quando eles não conseguiam trabalho.



Sabe-se ainda, por sua insistência e influência muitos artistas negros saíram do anonimato para subir aos palcos, incluindo nesse grupo grandes nomes como Dorival Caymmi e Sinval Silva, motorista de Carmem e autor do clássico "Adeus Batucada".

Mesmo assim, até o final da década de 50, foram poucos os artistas negros que conseguiram ter contratos assinados com gravadoras.

Nos anos 60, muitas composições sobre personagens negros eram racistas e ninguém reclamava. Apesar da ingenuidade de canções como "O teu cabelo não nega mulata (…) Mas como a cor não pega, mulata/ Mulata eu quero teu amor", está na cara o sinal de preconceito. "Mas como a cor não pega" fala da negritude como se fala de uma doença.

Gilberto Gil e Caetano Veloso, através de suas composições, colaboraram para que a força política do negro fosse mais reconhecida!

Depois deles, vários artistas negros despontaram no hip-hop, rap ou samba com a deliberada intenção de despertar o orgulho negro entre os jovens.


Fonte: http://www.colegiolacordaire.conexaopitagoras.com.br/CF//antenado/especiais/cultura_afro/cultura.html

Influência Africana no Canto Popular Brasileiro


Influência Africana

O africano também tomou parte vasta na formação do canto popular brasileiro. Foi certamente ao contacto dele que a nossa rítmica alcançou a variedade que tem, uma das nossas riquezas musicais. A língua brasileira se enriqueceu duma quantidade de termos sonorosos e mesmo de algumas flexões de sintaxe e dicção, que influenciaram necessariamente a conformação da linha melódica. Até hoje surgem cantos, principalmente danças cariocas e números de Congos e Maracatus, em que aparecem palavras africanas. Do dilúvio de instrumentos que os escravos trouxeram para cá, vários se tornaram de uso brasileiro corrente, que nem o Ganzá, Puíta ou Cuíca e o Tabaque ou Atabaque. Instrumentos quase todos de percussão exclusivamente rítmica, eles se prestam a orgias rítmicas tão dinâmicas, tão incisivas, contundentes mesmo, que fariam inveja a Stravinski e Vila-Lobos. Tive ocasião de assistir, no Carnaval do Recife, ao Maracatu da Nação do Leão Coroado. Era a coisa mais violenta que se pode imaginar. Um tirador das toadas e poucos respondedores coristas estavam com a voz completamente anulada pelas batidas, fortíssimo, de doze bombos, nove gonguês e quatro ganzás. Tão violento ritmo que eu não o podia suportar. Era obrigado a me afastar de quando em quando para . . . pôr em ordem o movimento do sangue e do respiro. O Landu ou Lundu foi inicialmente uma dança africana "a mais indecente" diz De Freycinet. E quase sempre no texto, "Eu gosto da Negra", "Ma hialia" (vide meu "Ensaio" citado), "Mulatinha do Caroço no Pescoço", o lundu ainda guarda memória da origem africana.Si nos movimentos coreográficos de certas danças-dramáticas nossas, inda é possível distinguir processos de danças cerimoniais ameríndias, tais como as descritas por Léry, Martius e outros: o jeito africano muito lascivo de dançar, permaneceu na índole nacional. As danças mais generalizadas de toda a América são afro-americanas: o Maxixe, o Samba, a Habanera, o Tango, o Foxtrote.Também danças-dramáticas os negros criaram aqui, num misto de saudade do seus cortejos festivos da África e imitação dos autos portugueses. Os Maracatus e os Congos são as que predominaram mais até agora. Muitos dos nossos cantos de feitiçaria, tão bonitos e originais, também são de influência genuinamente africana.Parece que a música foi o derivativo principal que os africanos tiveram no exMio da América. Inundaram o Brasil de cantos monótonos. Os brancos, cuja vida não tinha onde gastar dinheiro (Capistrano de Abreu), mostravam a riqueza pelo número de escravos. Destes, os que sobravam em casa, eram mandados sós e principalmente aos grupos ganhar para os senhores, fazendo comissões, transportando coisas de cá para lá, nas cidades. Pra uniformizarem o movimento em comum e facilitar assim o transporte das coisas pesadas, cantavam sempre e "as ruas ressoavam, ecoando a bulha das vozes e das cadeias" (Foster; L. Luccock; príncipe de Wied). Os negros escravos e os mulatos se especializavam mesmo na música. Manuel Querino, relatando as ocupações dos escravos na Baía, escreve textualmente: O escravo "não tinha tempo a perder; nas horas vagas estudava música, de oitiva . . .". Alexandre Calcleugh registra o seguinte anúncio carioca "Quem quizer comprar hum Escravo próprio para Boliero, que sabe tocar Piano e Marimba e alguma cousa de Música e com princípio de alfaiate, derejase á botica da Travessa da Candelaria, canto da rua dos Pescadores, n. 6". De Freycinet cita Joaquim Manuel, cabra tão cuera no violão que deixava longe qualquer guitarrista europeu. O nosso talvez maior modinheiro do século XIX, Xisto Bahia, era mulato. Por tudo isto é fácil de perceber que a influência negra foi decisiva na formação da nossa música popular.


Fonte: http://tribomusica.br.tripod.com/inicio/id8.html